
Muitas coisas tem acontecido ultimamente. Final de semestre na faculdade deixa qualquer universitário doidinho, rs! Mas vai valer a pena!

Acho que todo mundo já ouviu algo sobre a polêmica que causou o fato do MEC (Ministério da Educação) endossar um “erro” de português. A mídia sensacionalista (que, diga-se de passagem, representa os interesses da elite), espalhou esse fato mas não trouxe - quase que ninguém – para discussão.
Do livro, vi apenas fragmentos. Sendo assim, não sou a favor e nem contra. Talvez o comoabordar o assunto de variedades lingüísticas tenha sido equivocado, mas o que parece é que a proposta é que ela seja o único meio de comunicação numa determinada sociedade.
Sendo a língua utilizada como faculdade humana que permite que o sujeito apreenda o mundo e expresse seus pensamentos, então, para mim, está correta. Porém, se discutida como parâmetro social e domínio de estrutura e uso, o foco é diferente.
Não estou dizendo que não se deve mostrar que existe essa variação, até porque não podemos pensar no ensino de língua que não tenha heterogeneidade. Não se pode pedir que o sujeito que sai de uma realidade que não faz parte da elite pense que o que ele tem dito até hoje está errado. É uma violência não reconhecer que na oralidade somos mais inventivos, mais criativos. O que eu quero dizer, na realidade, é que a escola é o espaço propício de reflexão para que o sujeito entenda que não há certo ou errado (esse tipo de conceito é sempre preconceituoso e a língua, como instituição social, não trabalha nesse tipo de valor), mas existe o contexto. A obrigação da escola, como instituição burguesa, é ensinar a língua padrão para que o aluno consiga não só transitar em espaços diferentes daquele que já foi introduzido de nascença, mas que também possa se defender dela. O problema real é quando o ambiente escolar desconhece que o sujeito é poliglota dentro de sua própria língua.
E usar a língua padrão para se defender exatamente de quem? Da própria elite!
Siiim, a elite! Alguém aí já parou pra pensar que esse “erro” pode ter um propósito muito maior do que ensinar uma variedade lingüística?
Estabelecer um nível de distância entre a classe dominante e a classe dominada! Claro! A língua padrão tem prestígio porque representa uma classe social. Já repararam que só é estranho o que a elite acha estranho? Quer um exemplo? Olha aí:

E aí, algo estranho? Não? E a crase? Pois é! Faltou a crase na frase. Seria: Barack Obama fala à Veja. E agora, por que será que isso não teve repercussão? Bom, a Veja é uma revista que tem como público elitizado. Pois é, a elite pode, né?
Eu não falo a língua padrão o tempo inteiro. Ninguém fala a língua padrão o tempo inteiro.
Mas as verdadeiras questões são: Como mostrar nos livros didáticos essa variação? Como a escola deve lidar com a diversidade no ensino didático? E para quem, como eu, ainda não conseguiu analisar o livro de perto, deve-se refletir: Em torno de que discussão o livro discorre? Qual a proposta de análise que ele oferece ao professor?
Enfim, a questão não é estar ou não no livro. É a legitimidade da língua.
Mas essa é só minha opinião =)
